terça-feira, 12 de julho de 2016

dos anseios...

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"minha solidão 
não tem nada a ver 
com a presença ou ausência de pessoas. 
detesto quem me rouba a solidão, 
sem em troca me oferecer 
verdadeiramente companhia."

— Friedrich Nietzsche
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gravity



































vem, disse o amante
canta-me o que ninguém jamais cantou
canta-me o universal
a voz que preciso ouvir
de como pertencer
a você
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e vamos tocando a vida
e vamos tocando o tempo
e vamos tocando
até que alguém
nos toque
de
vez
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dobradura
do
tempo
resistência
do coração
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as inclinações
tendem a
aumentar
as
motivações
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amizade
marca
texto
marca
mão
marca
coração
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sólido
espelho
da
solidão
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os cabelos brancos
são tão aparentes
talvez guardem
a ordem dos tempos
talvez por isso os teremos
tantos
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às vezes
tenho
preguiça
das redes sociais
queria ser programador
pra criar
as redes
sensuais
estar
no conselho
sensual
de criação
ser formado
em ciências
sensuais
e visuais
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quando se sentir triste
assista 99 filmes
leia 90 livros
ouça 231 músicas
coma 41 chocolates
se não der certo
junte os números
e me ligue
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ame alguém se possível
porque o amor
não bate e volta
ame o amor
que bate de volta
o que bate é o coração
bate e machuca
bate e cura
se bate com amor
se é que isso existe
bater com amor
o amor
então
não me mate
tanto
por dentro
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diálogos noturnos:
vários autores notívagos

ame alguém
que não
te faça
sentir
medo
ame alguém
que não te esconda
nenhum segredo
ame sem escolhas
ame sem escolas
ame sem o aprendizado
ame
até mesmo
errado
ame alguém
que não
te faça
de trouxa
ame alguém
que lave sua
roupa
ame alguém
que te deixe
em paz
ame alguém
que te faça sentir
mais capaz
ame alguém
que te deixe
jogar Pokémon
ame alguém
que te faça
capaz
de amar
mais
ame alguém
mais perfeito
que t(eu) ex
(impossível)
ame alguém se possível
porque o amor
não bate e volta
ame o amor
que bate de volta
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escapo
de gente chata
para não ser devorado
pela
mediocridade
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o olhar pela janela
um velho livro encontrado
rostos entusiasmados
o vento frio
o jornal
um cão qualquer
a lata de lixo
a estética das ruas
um banho
e cama
música nova
substituindo
a antiga
sapatos incômodos
substituídos
por chinelos
nos
cômodos
tentar compreender

TENTAR

escrever
plantar palavras
poesia
cantar
por dentro
ser cordial

nem sempre

por fora
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com o rabo do olho
vigio
o outro olho
que não
vigia
nada
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os maus tremem suas garras
os bons alegram-se
com seus feitos
eu mesmo
só quero ouvir
os meus versos
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voyeur

olhos inertes
na sombra
através
da imagem
que lhe escapa
as mãos
surdas
imitam
o prazer
a realidade
se detém
num
gozo
inerte
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no amparo
do afeto
o sexo
perverso
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úmido
o olhar
de quem inventa
respostas
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se tenho boca
é para alarme
se tenho asas
é para
calar-me
para toda
dor
um
voo
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a palavra se perde
mas era eu
em lâminas de outro
talvez chame-se afeto
isto o que falo
talvez seja
o que falha
isto o que
falta
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segunda chance
é igual relógio antigo
se der corda de novo
a mola arrebenta
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e saí com um amigo
e interrompi
silêncios sagrados
perdoados com um
abraço
e rimos muito
e nos preocupamos
juntos
com um cigarro
e mais nada
e escrevemos good vibrations
e café com empanada
e outro cigarro e mais risada
e eu sem ver bem nada
olhava
e quando fui me despedir do amigo
já sai sentindo
uma
saudade
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escrevo ali
onde
o silêncio bate
como um coração humano
a força do pavio quente
inflama a dor
inflama a minha idade recente
que constrói as raízes das
minhas árvores
e que me suportam
e mudo eu sou pra dizer a
qualquer galho curvo
que à minha vontade
encurva a mesma febre
de calores
intensos
internos
a força do calor da água
que me aquece
em dias frios
move o meu sangue
por dentro de veias
velozes
quase vazando
pelos pulsos
e quem sou eu mudo
para gritar às minhas veias
que tem a mesma boca
que me mantém
vivo
e quem sou eu mudo
e quem sou eu incerto
que mal vejo
para dizer ao vento
como o tempo
criou um céu
em torno das estrelas
e toda essa luz
que rompe em lotes secretos
lentos
pelas janelas
em um tom de luar azul
em pontas de imaginação
onde os pensamentos gotejam
em dias de chuva
e quando a lógica morre
e o que resta
vira poesia
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beijo não se decide
acontece
e se não rola legal
desiste
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duplo
arco
iris
em
círculo
perfeito
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medo
avança alma adentro
e te levanta
num susto
imenso
e se move
e faz mudar os pensamentos
medo injeção na alma
e no corpo
para o novo
um algo escondido
no conforto da vida
medo pode ser ruim
mas ao mesmo tempo
move o ser
e o não ser
medo de cada um
por dentro
é a mesma loucura
que nos
muda
e nos atira
para fora
do lugar
comum

com Leia Santos
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wake up

você nasceu 
com sua cabeça nas nuvens
seu futuro ao ar livre
e solto
parecendo
quase
sem peso
algum
quase...
você tinha sonhos
antes mesmo de ter memórias
uma nuvem de fantasias e desejos
de planos secretos
e potenciais escondidos
visões de quem você era
e do que sua vida poderia ser
elas mantem seu espirito alto
flutuando em algum
lugar acima da sua vida
onde o mundo parece
ligeiramente hipotético
quase transparente
mas cada vez que você alcança os seus céus
e vai embora com nada
você começa a imaginar
o que o prende nele
"o que deveria ter acontecido à essa altura?!"
você sente o tempo começando a escorregar
e puxando tudo de volta à terra
mesmo quando você diz a si mesmo
"não olhe para baixo"
ou então
"não devia ter feito isso"
você não pode se dar ao luxo de flutuar pela vida
porque você talvez não tenha tempo
o futuro já está correndo
em direção a você
e não está tão longe quanto você pensa
parece que sua vida está passando
diante de seus olhos
um lugar comum para os que se sentem
que o tempo que resta
não é muito
mas na verdade é exatamente o oposto
você está pensando adiante
em tudo o que você ainda não fez
lugares que tinha planejado visitar
empregos ou coisas que desejaria ter
os objetivos de uma vida que você
eventualmente pretendia realizar
algum dia no passado
ou no futuro
você começa a abandomar as ilusões
uma a uma
como se jogasse uma âncora ao mar
e logo a névoa se levanta
e tudo fica claro
até o momento em que seu pé toca o chão
e lá está: "O Mundo Real"
como se você finalmente tivesse crescido
pisado na realidade
seus olhos mal se ajustam a escuridão
vendo o mundo como ele é
mas na verdade
você não pertence a ele
nós sonhamos em sobreviver
e isto não é mais do que simplesmente respirar
talvez "O Mundo Real" seja apenas mais uma fantasia
algo pesado para pressionarmos contra
e acabamos nos lançando mais alto
todos nós temos medo de simplesmente
sermos livres
e de cairmos em futuros sem chão
mas talvez nós pertençamos ao ar
dando cambalhotas ao vento
talvez seja só quando você mergulha
que você ganha velocidade suficiente
para moldar o fluxo da realidade
e escolher
por mais difícil que seja
seu próprio caminho
voando nem tão alto
nem tão baixo
e sim planando de um lugar para o outro
em longos "loops" divertidos
sonhando alto
e lançando suas ideias contra o mundo
e se erguendo novamente
se movendo tão rápido
que você não sabe dizer
onde o sonho termina
e a realidade começa
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Um comentário:

Magda Isabel do Nascimento Nascimento disse...

Cada vez mais craque no ofício. Parabéns, tá tudo lindo!