quinta-feira, 11 de julho de 2013

dos transbordamentos...





"transbordo 
não nego
volto quando couber"






















pause

eu não sei ser pássaro
não conheço a história do fogo
mas acredito que a minha vontade
deveria ter asas

justiça poética
se faz
às cegas

quero separar o joio da entrega

veneno:
sou forjado em cobras de arte

quero poemas mudos
que entram pelos ouvidos 
e saem pelos olhos

quem espero só me cansa

hoje sobe-me o mar
em ondas
sonoras
preciso de silêncio em concha
de ondas do mar
que não morram na praia

de que adianta você vir música se eu sou orquestra?
de que adianta você vir palavra se eu sou poema?

as bocas e os avessos
tem tropeços
incomunicáveis

eu não vasculho
os navios
naufragados
sem âncoras


crônica para um desinteresse repetido:
pessoas que vazam
do zero
e se alimentam
de nada


indo a saturno
para tentar ser
menos
soturno

.