terça-feira, 13 de dezembro de 2016

dos extremos...

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"o que fica atrás de nós
e o que jaz à nossa frente
tem pouca importância
em relação ao que há
dentro de nós."
Ralph Waldo Emerson


sobre foto de Emanuel Xampy Fontinhas

























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ciúme
/
caminho incerto
repleto
de posses
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pensa, pensa
pensa no que não pensou
pensa, pense
pensa no que já pensou
pensa direito
onde é que estou
pesa, penso
no que restou
pensa, pensa
enquanto não for
crime pensar
ou se não nos cobrarem
por ser pensador
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de repente
nesse calor todo
com essa lufada de vento
lembrei-me
de mim jovem
no cafezal
quando descobri
as montanhas
senti
a mesma intensidade
daquele momento
andando sem lenço
sem documento
por aquele vermelho
de
cor
talvez
a mesma liberdade
– lufada de vento –
esteja ainda presente
neste momento
no homem maduro
que estou

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os medos
são correntes
são milhões
de segredos
que nunca
são ditos a ninguém
parte inóspita
sem luz
do calendário
que o fracasso
diário
conduz
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o tempo nada perdoa
nem a ele mesmo
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depois você 
quando diz 
que toda vez 
que apaga a luz do quarto 
nalgum lugar do mundo 
uma porta se abre

de
repente
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um toque
no olhar
digital























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triptologia
trilogia
do exagero
ganância 
raiva
ignorância
e
perdas
em 3D
doença
divórcio
desemprego
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não faço transmissões 
ao vivo
para não parecer
morto
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quando
possuir
o
mar
me fale
das
ondas
/
me fale
mais
de
você
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pequenos
poemas
em
manifesto
que eu não guardo
nem empresto
pequenos poemas
ilhados
vindos de lugares
isolados
pequenos poemas
nos olhos
de outros
que escapam
da vida
pequenos momentos
agudos
feito agulhas
numa
ferida
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po
e
sia
tinha que ser
mais
popular
e existir
em
todo
lugar

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igual perna de cobra
quem vê 
morre

além da queda
o coice

tem gente 
que só faz peso na terra
e não vale 
o que o gato enterra
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existem os dias de cansaço
comparados às pedras
existem os dias de cansaço
comparados às flores
existem os dias de amparo
e ajuda
existem os dias em que as coisas
desistem
e raramente
existem os dias
eternos
de amigos
que se confundem
e que falam de amores
entre fábricas
lembranças de coisas antigas
vinis, músicas e ardis
dentro das próprias
lembranças
significados imensos
nos abraços
e de que o dia
nunca se acabe
e eterno
fique preso
enroscado
na
memória
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um sol no seu coração sem ponteiros
assim que se medem as horas
assim é que tem que ser
pena que eu sou escrava da hora
amanhã muito cedo o amor acaba
mas pelo menos dormirei feliz
/
mas não é escrava do que sente
mesmo que o amor dor
mente
*com Michelle Della Torre.
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as mais nobres paixões 
são também as mais cadeias
/
coincidentemente
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00:00
quero amor do meu amor / 
beijo e flor/
a hora zerada / 
outro dia / 
outra florada /
o amor é um relógio/ 
sem nenhum pudor/ 
meu amor

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egochic*

a tristeza é egoísta
a raiva é egoísta
a Paixão não quero que seja
quero que seja louca
mas esse tipo de "loucurinha" de comprar o doce predileto ou de chegar suado ao encontro porque antes se lembrou de comprar algum agrado e mesmo com uma fila imensa no Extra 24h não se desiste.
aquela vontade de passar o dia inteiro tomando banho e se perfumando e ficando irretocável pra encontrar a paixão
aquela ausência aos amigos (perdão) para passar a tarde com sua mais nova paixão
fazer de tudo pra acordar e dormir e acordar com ela
fazer de tudo pra impressioná-la
para imprimir um sorriso
uma gargalhada
ainda que seja você o palhaço
a paixão que não vê a hora
que conta os segundos
que você a sente secreta porque senão faria uma gritaria imensa
Paixão é a loucura
a loucura que faz você
a loucura que você faz se desligar de limites e razões e de impedimentos ou ideais
pronto parei
ou é o começo
de outra
paixão?

*com Michelle Della Torre.

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cara
você trata de paixão
eu to "encantado" que é diferente

(o fogo não é o mesmo
dentro da gente? )

a paixão é um modo próprio
um fogo único
de tal forma
egoísta
até dissolver
encantar
e transpassar
o outro
fulminando
essa é a flecha
cupido não sabe disso
é a invenção da paixão
que causa o "atravessamento"
amor é cupido
distraído
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só o carinho basta?
na hora me basta
mas depois é complicado
eu fico pensando:
será que bastou
para a outra pessoa também?
como vou saber?
/
(tem gente que faz
do medo
incapaz)
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não quero fazer
sucesso
quero fazer
sentido
/
(ou ambos)
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quando
(enquanto)
não
controlo
a vida
controlo
palavras
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ipsis litteris
[3/12 23:51] Michelle Della Torre

quando me pego dada 
a botar defeitos
como passatempo
e não mais como exercício racional
percebo:
existe em todos aquele defeito
sabe qual
não é?
eles não são você
[4/12 02:50] Julio Carvalho:
eles não constam
dos seus erros
não compartilham
seus desejos
seus defeitos
são as virtudes
que dos outros
são ausência
translúcidos
fascinam
enquanto obra
enquanto fera
de sua parte
o melhor
é a diferença
que prospera

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se eu não vejo
eu não 
enxergo
o defeito
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não ouse
/
"post 
hoc 
ergo 
propter 
hoc"
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palavra do dia:
epokhé (εποχη)
/
suspensão do juízo, 
também conhecida pelo termo grego epoché ou epokhé (εποχη), que significa 'colocar entre parênteses', é a atitude de não aceitar nem negar uma determinada proposição ou juízo.
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 as direções
do poema






















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