sexta-feira, 7 de março de 2014

dos engasgos...

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"soy este
que va a mi lado sin yo verlo; 
que, a veces, voy a ver, 
y que, a veces, olvido. 
el que calla, sereno, cuando hablo, 
el que perdona, dulce, cuando odio, 
el que pasea por donde no estoy, 
el que quedará en pié cuando yo muera."
Juan Ramon Jiménez
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engano à mão armada

somos enganados de muitas maneiras
de assalto somos
engasgados, somos a maneira
como enganam, engasgam
cospem, escarram
escatológica
mentem
lógico
histórico, fomos
enganados
no lugar e na hora
somos
esganados
errados

- com Raffab Raffab
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insônia 3D:
.vendo a noite passar sem intervalos
.ver o escuro entre dois sóis
.viver noites em que os sonhos não dormem
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não apareço
muito
porque me escondo entre
escolhas
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quinta-feira, 6 de março de 2014

das reservas...

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"a única maneira de sair da dúvida 
é disparar em qualquer direção."
Ana Cristina Cesar
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40° à sombra de tudo*

a lógica pode ser excessiva
e não vou dizer para você 
que eu não choro
porque nem toda lágrima é ruim
(queria da vida 
sempre um sonho bom)
os sonhos são a alquimia
que transforma metal em ouro
e podem transformar
a realidade em algo melhor
- ou não
(difícil entender porque as pessoas 
não são
exatamente como imaginamos)
então
que o perdão vire um mantra
e que possamos nos curar
dessas febres 
do corpo 
e do espírito 

* com Luciano Gagliano
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terça-feira, 4 de março de 2014

das bandeiras...

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"Não mais sabemos do barco
mas há sempre um náufrago:
um que sobrevive
ao barco e a si mesmo
para talhar na rocha
a solidão."
Orides Fontela
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um
eco
sistema
sem 
volta
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ando
assimilando 
luz
solar
em fato
& sínteses
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como 
cães
e gatos
somos todos
a mesma
sombra
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olhar
as coisas
sempre
como 
se 
se perdesse
pedisse
a linha
do horizonte
além
e tomasse
posse
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meu ser exagerado 
julgando o que se lê
faz parte do que sinto
e pareço que sou 
demasiado
gente
só porque julgo
diferente?
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das companhias...

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"– (…) como as ilhas: 
sempre longe, 
mas ofuscando 
todo mar em redor"
Mia Couto
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você quer 
que eu creia
assim
deste modo tão secreto
que um poema
possa
carregar amor?

sim
eu quero 
que creias 
assim
deste modo tão sereno e secreto
que um poema
possa
carregar amor

— com Fernando Schubach & Danilo C. Gusmão
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queria ter uma máquina de calcular intenções
verdades
possibilidades
uma máquina de resultados
satisfatórios
que dispensasse
os cálculos
fundamentais


— com Raffab Raffab
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num dia quente
desse verão
sobrevivo
sem descanso
na cidade
à revelia
dou graças
(escondido)
às sombras
que os prédios
simulam
impunes
e delas
me desvio
(de olhos semiabertos)

 com Danilo C. Gusmão
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dos alinhamentos...

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"gentelinhas
entrementes
paralelas
imaginárias"
Julio Carvalho
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foto de Alexei Bednij

exercício 
de um homem
comum
pela manhã:

andar para trás
e não prever
futuro
olhar o velhonovo
com esperteza
como se o olho não
estivesse pronto
olhar breve
como ponto de fuga
ter cuidado
de não esperar
respostas
leves
mas olhar de lado
devagar
nada garante
que esses olhos
não possam se fechar
qualquer dia 
desses
olhe
sempre
como 
se 
se perdesse
pedisse
a linha
do horizonte
além
e tomasse
posse
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sexo à pilha

olfato ou fálico
nariz ou pau
meu sexo nunca foi 
nada
original 
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tem gente sobre
voando
sobre
boiando
sobre todas as coisas
como se não houvesse
amanhã
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domingo, 2 de março de 2014

das filmagens...

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"Abre a janela, espia:
quem sabe o mundo
ainda está do outro lado."
 Ricardo Silvestrin
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jardim de inverno

talvez algo me preenchesse esse vazio
esse vazio no coração
mas acho que não é bem assim
às vezes
acho que eu já senti tudo o que deveria
e não sentirei nada de novo a partir de agora
só versões menores do que já senti
acho que tudo isso acontece 
porque eu perdi um pedaço 
de mim mesmo
não foi nada fácil cada recomeço
pelo menos meus sentimentos são reais
mesmo depois de tanta dificuldade 
que nem eu mesmo me dei conta
mesmo com  tanta dor e amargor e culpa
ainda resisto e tento ao máximo 
sentir alguma coisa que preste
mesmo que falhe
a falta até diminui
talvez esse texto
talvez um poema
talvez 
muito mais talvez
alguém
meio longe para pensar nisso agora
ando com elefantes nas minhas flores
uma vez o amor me mudou
(pelo menos era o amor para mim)
e não ficou muito tempo 
mas mudou
e depois disso 
criei uma impressão de que ele não
sairia mais de mim
não sei se é falsa 
ou falta
mas sei que foi o que me mudou
um dia
e não desisti de sentir isso
nem sei mais como
- talvez por isso esses elefantes
talvez as flores
talvez espinho
talvez
quem sabe
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difícil é mudar sem assustar o outro
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o passado é só uma história que nós contamos
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eu queria alguém
que chegasse em casa e me contasse sobre o seu dia
que falasse sobre aquele colega de trabalho que fala demais
da mancha acidental na camisa na hora do almoço
de algo engraçado que pensou ao acordar
e que acabou esquecendo
que me diga como todo mundo é louco 
insano 
demente
e que a gente
possa rir de tudo isso
talvez quando chegasse tarde e eu estivesse dormindo
sussurrasse ao meu ouvindo um pensamento qualquer
porque eu passaria a gostar 
da sua maneira de ver o mundo
da  maneira de sentir
do cheiro da pele e das coisas
eu seria tão feliz por estar com essa pessoa 
e poder ver o mundo com os olhos dela...
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qualquer pessoa que se apaixone é uma aberração
é algo louco de se fazer
apaixonar-se 
é uma forma socialmente aceitável de insanidade
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posso pensar demais em tudo e descobrir várias maneiras
de duvidar de mim mesmo
e tenho pensado nesse meu lado e cheguei a conclusão
que só estamos aqui por um momento
e enquanto estiver aqui vou me permitir.
ser eu mesmo. ser algumas coisas...
porque não aproveitar?
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por que eu deveria amar?
porque eu devo sentir tudo em mim se soltar?
coisas às quais eu sempre me prendi tanto
e perceber que não tenho nenhuma razão intelectual
e nem precisaria de uma para isso
como se eu confiasse completamente em mim 
e no que eu sentiria
não tentaria ser mais ninguém além de mim mesmo
e poder aceitar isso
na verdade aceitar muito isso
natural e tranquilamente
e ter tudo isso e  ver e sentir e poder
o outro
por tudo isso eu deveria amar?
queria deixar esse medo todo de lado
talvez assim eu não me sentisse tão sozinho
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uma música que fosse como uma foto
que guardasse cada momento de uma vida
uma nota, um instante
ou um poema que eu possa me ver dento dele
uma palavra, uma imagem
porque perguntam aos poetas do que eles se lembram?
eles só guardam sensações
e essas não são respostas
são musicas e palavras
não ouvidas e não escritas
pelo menos ainda não
agora
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o coração não é uma caixa 
que pode ser preenchida
ele se expande por dentro
o quanto mais você ama
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como dizer adeus

é como se eu estivesse a ler um livro
um livro que eu amo profundamente
mas agora estou lendo-o devagar
as palavras estão muito separadas
e os espaços entre elas são quase infinitos
ainda consigo sentir entre as palavras
uma história
e é entre esses espaços infinitos
dessas palavras 
que eu me encontro agora 
é um lugar que não está no mundo físico
quase  um sentimento
ou algo assim etéreo
é onde todo o resto está
e eu nem sabia que existia
mas é onde estou agora
e é esse quem eu sou agora
e eu preciso que me deixem ir
por mais que eu queira
não posso mais viver nesse livro
para onde vou nem sei 
e nunca vou conseguir explicar
mas se um dia alguém especial chegar lá
espero que venha ao meu encontro
e que nunca nada nos separe
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sábado, 1 de março de 2014

das nece_cidades...

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"eu ando elefantes em forma de flor"
Julio Carvalho
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by Gustavo Acosta



tão frágil a invenção do corpo
que todo mundo julga
de corpo ausente
aqui
são três da tarde
e mais um dia ao encontro
das cinzas desalinhadas
dos rostos
que habitam
essa cidade silenciosa
agora carnaval
antes coragem
agora hesitante
ante os carros
e os becos
na madrugada
a cidade é um corpo desconfiado
refletido 
em qualquer 
rosto
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