terça-feira, 2 de julho de 2013

das germinações...

.
"imagine ou germine" 
Julio Carvalho
.

móbile 

diferente a arquitetura 
de quem nasceu
sob o signo dos incêndios 
o dia sempre nasce 
depois das cinzas

gente que se refaz
de nuvens

das transcendências...

.
"os nós em nós transcendido" 
Julio Carvalho
 .



adaptação 
é uma questão de quando
é uma questão
do quão fundo 
se vai
se foi
se vela
e vale
a pena

segunda-feira, 24 de junho de 2013

dos contrários...

.
"eu cresci em uma casa de fraquezas.
por isso eu me fiz de forte."
Vinícius Linné
eu ao contrário - Julio Carvalho


marcha

provenho ventos em matilhas
devoro cem feras em repouso
faço da noite uma escolha
enfrento
revoluções de ideias
ventos
ladrões de uma quadrilha
- pensamentos
que depois do crime
participam de um jogo
furtivo


um fóssil no peito

eu abri dores
eu agridoces
eu escavei
fundo na causa e na alma
estive em caos
e em casos perdidos
encontrei ossos
n
ão de outros
os meus enroscados
nas veias e v
ísceras
entre os espa
ços
desenterrados

s
ão os ossos do ofício
de desalmar


adentros

I
não sou do tempo de hoje ontem agora neste exato momento sou
amanhãs
- sou alguém sem saber onde ir

onde ficar
onde fincar


II
a vida é clichê
a vida é chiclé
a vida gruda quando mascada
ou mascarada
e faz bola
estoura
depois cospe
era o que faltava:
cuspir

só não pode cuspir para cima
senão a vida volta na cara

 .

segunda-feira, 17 de junho de 2013

dos sensos...

.
"ainda sem saber como lidar com o mundo das boas notícias. 
a vida enlouquece a gente o tempo todo. 
eis a diversão do estado de tudo. 
agora é reorganizar, redefinir,
agradecer e esquecer o que não fez bem. 
agora é ressuscitar. 
talvez amor. 
quem sabe..."

Julio Carvalho
.

.
senso remix

na casca e na polpa
a pele
me poupe 
de tantas explicações
como dizer o corpo
em silêncio
sem vacilar?
como reinventar sensação
ou sentimento
perder  o  chão
a cor 
e toda a arte
calor ou sentido
nos dias incomuns
e saber
como erguer o corpo
sem palavras?

perceba que todo desejo precisa de atenção

.

terça-feira, 11 de junho de 2013

das temeridades...

.
"Um pé não podia, mas o outro pé queria e seguia. 
Um pé dizia: eu fico por aqui, mas o outro decidia:
por aqui eu te levo. 
E uma e outra vez esse pé, o andante, voltava ao caminho, 
porque o caminho é o destino."
Eduardo Galeano
.
pump
.
uma das tarefas mais complicadas do mundo:
reconhecer o quanto o medo atrapalha.
é uma lição das mais difíceis. livrar-se do medo
é um parto: uma dor e um choro. quando nasce
desmorona. melhor abortá-lo. mas aí vem a
dúvida: se não nasce não revela. se não nasce
não ensina. se não chora não liberta. em que
hora deve-se deixar o medo nascer para
enfrentar? a vida pede coragem quando a gente
só quer deixar de ter medo e nascer e chorar.

meu corpo pode não estar bem, 
mas eu quero a minha alma em forma...

prefiro as juras de amor e a corre
ção moratória dos carinhos perdidos

queria menos enganos e mais igni
ções

estou cansado de ser feliz por pouco
aos poucos
estou cansado de ser feliz aos porcos

 .

quinta-feira, 6 de junho de 2013

dos semáforos...

.
" Minha poesia não tem sexo, 
mas não abro mão das preliminares. "

cris de souza

IMG-20130605-WA0000

Photo by Renato Medeiros


no meu desvio
não aparecem os sinais
eu fico parado
no sinal 
reto
feito
dois de paus
dois dos outros
dourados faróis acesos
iluminados
e eu só olho para frente
a cor da faixa de segurança
com traços de memória
atravesso quando não tem carro nenhum
e do outro lado
aguarda
outro sinal
as esquinas são eternas
e eu aqui
sempre um cruzamento

como de costume
inexplicável costume
os dias passam
entre o primeiro abraço
e o derradeiro
e sem maiores explicações
transcorre a viagem
por isso
hoje eu não quero
investigar
nenhum
silêncio
só
quero um café
sem maquiagem

tem algum jeito
de se esconder
antes de se machucar?
meu coração
tende a ser alvo:
nunca
são e salvo

de
sim
fim
tante
conflitante

era uma vida
como um filme ao contrário:
nenhum fim tinha começo

a vida exposta -
um filme sem cortes:
estes ficam no corpo

prato executado
às pressas:
abre-se a toalha
garfos e facas voam
sem sair de casa

quero voar
dentro de poucos
um pouco

a pauta
é a puta
que fode
o poema

o estado em que me encontro agora
não é de São Paulo 
nem de santo algum
o estado em que me encontro agora
é menos crítico
e mais cínico

eu cabe
ça de vento
adoro gente
que me enche de brisa

.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

das ociosidades...








.
"queria ir do ócio criativo ao ócio recreativo"
Julio Carvalho













































o pássaro impossível
não voa
enquanto suas asas
antigravitacionais
estacionam
no espelho
aparece em noites ensolaradas
com penas de chumbo
mais pesadas que o ar
que qualquer um respira
mesmo assim
invertido
é um jato

E eu lá sou baú velho
para guardar coisa ruim?

hoje
não tenho olhos para a escuridão
não tenho ouvidos para o silêncio
não tenho palavras para qualquer poesia que valha
antes fosse antes
arrumaria
todas as vozes
e luzes e sons
de novo
de modo
indestrutível

vivendo entre
 
o caminho das pedras 
e a via das dúvidas

vezenquando
eu escrevo
para esconder
meu dez
(um milhão talvez)
espero

porqu
ê cinco sentidos 
se às vezes poeta 
sinto mais de um milhão?

eu sou um ou dois ou vários:
alguns para uso externo 
e outros para uso interno

muitas fantasias 
poucas realidades

amora é o sabor do poema
amor é poesia
a morada é a palavra
amarga é a falta

medo e merda s
ão excrementos do corpo

d
úvida é o nome filosófico da vida

(vapor)
vá se vestir
vá pôr uma forma no amor
não precisa
amor é nu

a concord
ância verbal é na frase
a discordância verbal é no grito

h
á quem escreva para expurgar 
há quem escreva para ornamentar
há quem
aquém
além

sem meias palavras
o poeta não quer dizer
o poeta diz
semeias palavras

quem
 
bem 
me 
quer 
não 
me
des
pe
ta
la

come
ço e fim:
você me atende?
sim
você me entende?
não

E no auge do desespero disse:
- Por favor, alguém me deixe acontecer?

surto ou surdo?
- não sei. qualquer dos dois me justifica

depois do amor l
íquido agora o horror líquido
um em conta gotas e o outro em contra golpes

consolo: um caf
é com leite numa vida sem açúcar

pessimista:
estado líquido
realista:
estado sólido
otimista:
estado gasoso
poeta:
estado de esp
írito

tem gente que gosta de sanar as d
úvidas para adoecer as respostas

estalactites
estalagmites
paralelep
ípedos e diamantes
dos homens aos ossos
onde tudo
é pedra

envelheci
queria dar as caras
alcançar o outro lado da minha moeda

a luva:
coisas que caem como uma luva
abra
ços sem preguiça
sorrisos contagiantes
olhos emocionados
amores correspondidos
caem feito uma luva essas raridades
.