sábado, 27 de abril de 2013

das liberdades...

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"Quando tiverem conseguido um corpo sem órgãos,
então o terão libertado de seus automatismos
e devolvido sua verdadeira liberdade"

Antonin Artaud

































Foto de William Raphael


veritas


um olhar escandaloso escancarando o sexo aberto
e com urgências 
guardar cada imagem antes que a tarde me dissolva
porque amanhã acontecem
(e nunca se sabe)
fragmentos de espelhos
espinhos
espaços

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sexta-feira, 19 de abril de 2013

dos abusos...


"jamais adivinhando se a arte imita
a vida ou se a incita ou se é bobagem."
Antonio Cicero 



velado

dúvida: entendo a vida como passagem ou como miragem?


a mão da idade

chega
a tempo
de dizer
parabéns
e meus anos
são objetos de memória

envelhecer
é um abandono
não retornável

city tour


todo mundo habita o próprio centro

tombado pelo patrimônio histórico 
dos anos de solidão e busca
em algum momento
um explorador
inevitável
aparece e descobre
ruínas
onde se escondem 
as pedras
que roubamos
à mão armada

quero ver

o coração em cofre
abusado


arrested


quando o desejo
é em cadeia
ele fica preso
atrás das grades?


filosocria


eu tu
vi dele 
coisas vãs
vultos
de nós


origem


de Gerais
não tenho a mínima
de paulistano
venho de pedra
na mão
escavada
de Minas

eu vim de um estado
de serras
e poetas

adotei o conceito
do concreto
que me atrai

as poucas pedras
garimpadas
da memória
só saem
à força


brevis oratio


rogai por nós pecadores 
agora e na hora de nossa sorte
agora e na hora de nossa morte
e além


#fato


o livro repousa
a morte repousa
cada um no seu ataúde
um nas letras
outra na terra

a vida precisa
ser resolvida

por isso a urgência

(do absurdo)
do abuso

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quinta-feira, 18 de abril de 2013

das matrizes...


.
"carreguei chaves
como amuletos
de portas futuras"
Julio Carvalho
.

o museu da inocência 






















matriz

a poesia que eu escrevo
vem de pequenas
mínimas
quase imperceptíveis coisas
coisas que ninguém percebe
a minha poesia vem das coisas
que esqueci de perceber
quando se passaram comigo
a minha poesia é 
aquilo que eu
esqueci
e coisas que
nem sequer 
percebo mais
.

parque de inversões


queria namorar alguém que me namorasse de volta

algo
dão
algo
deus
se


algo tão doce
difícil
.
.
água tônica 

se o tempo passa quem é que lava?
quem é que seca
mágoa?

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sábado, 19 de janeiro de 2013

das coletâneas...

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“A arte é um vazamento. 
Eu gosto dos grandes.”

William Raphael
.
























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Cool letânea (via facebook)


eu quero ser
sua nave m
ãe
sem abortar

os dias nublados não são lembrados porque as memórias ficam entre as nuvens

pensamento em branco
n
ão precisa ser pintado
at
é porque
de muitas cores e cenas
vivem minhas
mem
órias.

uma pessoa
natureza morta
nunca exposta

a poesia 
às vezes 
haicai dentro
 
de mim

você se lembra você se lembra que primeiro
dan
çamos sobre o vulcão mas onde
deixamos os doces?

As relações "na nuvem" ou os "cloud friends" atuais: são mesmo como nuvens. Instáveis e passam logo. Isso quando não viram uma tempestade e desaparecem. São chuvas de verão.
Não mude de amigos. Mude de pessoas.

Mudar não é só um comportamento. Mudar é um todo. E não é um só. É mais de um.

poetificação sanguínea:
navegando por mares nunca dantes afogados
passando despercebido pelos lugares comuns
sonhando ao inv
és de olhar

coração em lata. e sem abridor.
quero um espaço sideral
 revelo
relevo
gente que n
ão
me leva
a s
ério

a ironia fina desajustada e a comédia dos anjos decadentes

quem não arrisca, não explica.

 explicações "coisificam" ideias. por isso é que
as ideias nascem infantis e viram coisa.
uma ideia deveria ser crian
ça sempre...

palavra poética isolada: esfacelar

quero a poesia do enigma

numa biblioteca, tanto quanto na vida, você finge que não está achando nada para o assunto te achar.

não vim de tão alto
para ficar abaixo
das estrelas

no princípio era o espelho
depois foram todos quebrados
e os cacos passaram a refletir
os sentidos: eram as sensações das palavras estranhas.

procuro o diferente
um outro repouso
um lugar
uma sinfonia
de variação,

ausências

e fuga

que seja eterno enquanto ouço

meus olhos são pouco para o mundo
e fica mais difícil quando a palavra encontra o sonho.
para a caravela
o mar é pouco

para o poeta
um poema é pouco


navegar um poema
é preciso

Eu não estou dormindo, estou sonhando para dentro.

quero fazer a cartografia dos meus mapas astrais

a tristeza só compensa quando o volume de lágrimas for maior que o de álcool ingerido.

 Saiu da cama pra evitar o sonho.

de tanto imaginar
perdi a realidade 

de vista

 tem como
passar o inferno astral
no para
íso?

eu vim viver pra festa
não pro ensaio

tenho uma intuição mínima
porque meu sexto sentido 

só funciona aos domingos

proesia mínima
quando eu digo
e não faço

você deveria saber que a ignorância também pode ser qualificada, que a ignorância cresce em todo quando e em cada entretanto, cada vez que você acha que você entende das perguntas

eu tenho mais silêncios que palavras

velhas promessas
recebendo
tinta fresca

nem sempre destilo
nem sempre destino
nem sempre desisto

opção sexual: afrodisíaco

a palavra chuva
não tem

poral

Como seria estar/andar por trás dos olhos de um poeta?

Escrevo porque é sólido. Se fosse líquido, poesia.

 insonia:
n
ão existe linguagem
ela acontece
n
ão podemos confundir a linguagem com
a gram
ática
a linguagem acontece no acontecimento
da coisa
ao acontecimento da coisa chamamos de
dan
ça
e a dan
ça bem feita da palavra chamamos de
poesia



Acho que eu não sei o que significa ser normal. São Paulo é até um lugar divertido para ser solitário. Há pessoas por todo lugar. Todos têm seu próprio ritmo. Eu não sei se tenho um. Posso ver todos funcionando naquele compasso. Tenho de ir. Tenho de ir a algum lugar. Aqui.Todos rindo, dançando, fazendo seja o que for. E tudo o que ouço dentro de mim é silêncio. Há algo lá dentro, bem no fundo que é uma coisa só minha. Um defeito mínimo, escondido num cromossomo do meu dna que me torna diferente. Acho que sempre me senti assim. Sempre. Não que seja ruim. É meu campo de força. Nasci imune a algumas coisas externas que de algum jeito eu sabia que iriam me fazer mal. A solidão também tem seus modos de proteger. Mesmo que eu esteja público. Mas a salvo.

Queria que o dia todo fosse como o café da manhã. As pessoas ainda estão conectadas aos seus sonhos. Focadas no esquisito, e ainda não prontas para se comprometer com o mundo. Se tudo fosse sempre um café da manhã, eu estaria bem.

O sono é dos justos e a insônia não se ajusta.

De modo geral, um instante significa mais que tempo, mais que hora, significa eu e café e calma.

 Quem sonha dispensa explicações.

Poeta no fim da vida: sem nada a declamar.

Não me venha com esses olhos de tequila quando eu quero beijo de vodka.

Eu vivo um retângulo amoroso com a minha cama.

Tem quem olhe. Tem quem jogue. Tem quem some. E tem quem te consome.

Doses de humor negro. Sem gelo, por favor.

O amor é uma relação em cadeia.

meus orgulhos são meus muros...

 Eu vivo como se não entendesse nada  mas experimentasse tudo.

dois mil e ter-se

O branco problema da página.

Estou cansado dos grandes relatos. Quero um diário ínfimo.

Quero nuvens de vidro num céu de páginas em branco.

Preciso sonhar a poesia antes de fazer. Mão que escreve não sonha.

O que de mais besta pode te acontecer? Ser atingido por um raio, ser ignorado por alguém insignificante, ser atropelado por um carro forte cheio de uma fortuna que poderia ser sua? Enquanto nada disso acontece a palavra de ordem é urgência!

O que não vale a pena lembrar? Com boas lembranças vêm más lembranças e tenho muito das duas.

Tiraram meus olhos. Soletrei silêncios.

O desejo é só um instante. A consequência, infinita.

Quem me derreteu não sabia que minha alma era de cera.
E ela não evapora.

Telefone sem fim começa por um fio.

Toda fuga é um mecanismo de não busca.

Habito a tranquilidade das coisas. O silêncio me cresce.
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