sexta-feira, 7 de agosto de 2015

das levitações...

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"não dá tempo de saudades
não dá "

 — com Bruna Gabriel.

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desmorrer
é desmembrar-se
se livrar do lugar comum
do homem comum
usando palavras
levitar
como pena e pluma
e reconquistar
alivio
e pausa
enquanto outros
não sabem
o que se passa
por dentro
aqui onde tem
memórias
de vento
levanto
voo

..................................................

sempre
à noite
é que sobra
muita
casa
nessa
hora
..................................................

que 
acordes 
acordas 
agora?

o que fazes
acordado 
até essa
hora?
..................................................

noite
alta
sem 
nenhum
amanhecer
aqui
..................................................

do mesmo calibre
doce
bala de gengibre
arde
apesar de
bala
..................................................

minhas 
costas 
doloridas
se contorcem 
de uma forma 
inconstante
..................................................

papel 
com
poesia 
nova
para 
embrulhar
sonhos 
antigos
..................................................

não nego o amor
mas tem amor que não cola
pensam que amor
é adesivo 
quando na verdade 
é ponte

.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

das altitudes...

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"é das águas
do tempo
o tom difuso "


Elizabeth Browning

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Stefanie Harjes































a solidão
não avança
quando
estou
poesia
................................................................

" O problema é que 
sentir demais da conta é soda Julio, 
mata o cara"

... e sentir de menos
bem pior
desmata
mente
................................................................

porque
todo mundo
é uma ilha
se o mar
é um só?
................................................................

entendo
algumas
vozes
como sílabas confusas
um apagar de sentidos
palavra sem noção
me incomoda
preciso de vozes
que me evitem
desmaios
................................................................


que a navalha do mundo
me corte menos
e que o mundo mantenha
sua mão fechada
sem esses socos
invisíveis
na cara
além daquele estado
estalo
sou vivente
não mereço
silêncio
preciso de mais
espaço

................................................................

a noite
como rosto
em desagravo

todo rosto
tem uma morte
desenhada
em cada ruga
mesmo os mais novos 
carregam
manchas 
nos sapatos
essas rugas
mesmo
calos
e andam
devagar
................................................................

há dias quero chorar
mas tem esse sangue
na alma
coagulando lágrima 
me falta água 
e só tenho
o leito seco
de um rio
por 
dentro
................................................................

a mão não sei mandar 
por isso fujo
das despedidas
................................................................

eu amo
somente
a quem amo
sozinho
................................................................

desiguais somos
esses anjos
que nos guardam
são uns safados
não separam joio
de trigo
não escolhem companhia
deixam os olhos brilharem
em qualquer lugar 
e para qualquer um
esses anjos desiguais
nos apartam 
apertam
as asas
e seguram
o voo
................................................................

não
tenho
mais o _lh_
de antes
OO me falta
enxergo
agora
com outras
vogais
................................................................

resíduos 
de vermelho
agora que o sol se põe 
o fim do dia
e um resto
de sangue
das 
horas
................................................................

não ver
direito 
apurou minha poesia
de uma forma
absurda
é o jeito que eu ando
prestando atenção onde piso
presto atenção 
nas palavras -
esse chão 
infinito
................................................................











elevo-me
a potência 
de um eletro
choque 
até encontrar
quem ame
todas as minhas
verdades
................................................................

d e l e t r a n d o 
é 
laranja
poesia
descascada
e em gomos
................................................................

o que é o orgasmo?
para alguns
é a arte 
de se perder 
o branco
sem se perder 
do outro
orgasmo é cor
quando dá branco em um
e o outro treme
quando dois se perdem 
sem precisar de mar
quando pensa que afoga
mas é terra firme
orgasmo é fogo
e quando se ama
redime
nenhum orgasmo
reprime
................................................................

a vida
linha
vai e volta
está 
vezes torta 
mas
pratiquemos
................................................................

quando eu voo
das coisas que me prendem 
desdenho
bato asas 
ou fico quieto
vento potente
de frente
a mim vem 
igual fumaça 
no meu voo
eu me elevo e
das coisas que me prendem
desdenho
................................................................

oração 
com vontades
coração 
com saudades
pinta
e
trans
borda
................................................................

a vida
viciosa
como 
andar
em círculos 
uma cela
quadrada?
.


das alucinações...

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"Não sei se há remédio para esses dias 
em que tudo escapa. 
Dias assim, o peito é como um buraco negro 
que tudo atrai, com força descomunal. 
Um peito que dói, quente e pulsante. 
A garganta obstruída de expectativa frustrada. 
Não sei se há remendo, conserto, ajuste – se há o que dê jeito. 
Se. 
Não são dias de choro ou desespero, antes fossem. 
São de tensionamento e ansiedade. 
Expectativa fendida – 
eu a vejo em sua conformação de fiapos de ossos de fratura exposta.”
Bruno Zeni
.



































todo mundo 
tinha uma ideia
da palavra antes 
até antes
virar
poesia
.....................................................

poesia
bastam poucas letras
é como papel
em branco
.....................................................

todo apaixonado 
corre o risco
do êxtase 
do naufrágio
.....................................................

trouxe pouco
mas trouxe tudo
o bom que foi
sem desesperar
nada
.....................................................

tocando o chão 
com uma bengala 
essa poesia
em riste
lembro como me orientava 
mesmo sem perfeição 
eu perseguia
o chão
.....................................................


quem nunca teve dor 
que me diga o anestésico 
só acredito 
sendo
.....................................................

o Verbo poeta
tem dois corações 
quando um escreve
o outro ouve 
em silêncio 
a resposta
.....................................................

escapulário

quando o amor
induz ao adeus
eu rezo a deus
.....................................................


o poeta
morava 
numa praça 
sem graça 
e sentava
em bancos
de inspiração
o dia passava
a limpo
a poesia
jogada
aos pombos
era assim que ele vivia
pão 
milho
e poesia
.....................................................

quem é essa outra pessoa 
que toma conta de mim 
quando escrevo?
.....................................................

atrapalhado 
o poeta foi escrever sexo
e caiu de boca
na rima
dura
.....................................................

o café 
a ansiedade
e o fim de tarde 
causam
poesia
.....................................................

o corpo
pede 
poesia
sem correção 
a última de hoje 
na biblioteca
sou eu
em casa 
encontro
um cansaço 
artificial
não durmo
espero pacientemente
esvaziar
cada palavra 
pela descarga
um vaso
solitário 
na tela
do computador
.....................................................

o que acontece
quando eu como 
só a comida
sabe
.....................................................

queria beijar
mas faltam línguas 
pra falar
as
palavras
certas
o beijo vem
de onde a língua 
começa
.....................................................

cuidado ao escrever
o verbo amar
quando muito doce 
é amar
morto
requer sutilezas
e temperos 
delicados
dedicação 
a cada letra
é um verbo
exigente 
se mal usado
vira sal
pimenta
ou sai do ponto
por isso muito cuidado
o verbo amar
é um poema 
pronto
.....................................................

tem dias
que não consigo
esvaziar 
inspiração
.....................................................

poesia
é possessão 
divinabólica
.....................................................

tanta raiz
dentro de mim 
que nego
porque de profundidades 
raras
sou feito
na claridade 
só 
apareço 
feito
chão
.....................................................

não nego o amor
mas tem amor que não cola
pensam que amor
é adesivo 
quando na verdade 
é ponte
.....................................................

vezes que 
surge
tanta dor 
que é preciso
que alguém ensine
a rever 
gratidão
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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

dos desaguamentos...

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"o trabalho do artista, 
na minha visão, 
é mostrar as pessoas 
que tudo que vocês estão fazendo 
é insignificante 
e que tudo vai desaparecer um dia. 
então, aproveitem a vida."

Woody Allen

para Rogério












































o poema
lágrima 
é o tão difícil 
arrancado
aos gritos
aos berros
como quem nasceu
como um parto
como um ar
como toda primeira vez
o poema lágrima 
precisa
líquido 
do grito
pra existir
e
continuar
.......................................................

quando a chuva parar
e eu puder derramar 
lágrimas de verdade
nesse momento
eu criarei raízes 
até lá 
com a chuva ao meu lado
eu continuarei a vagar
como as nuvens
.......................................................

sob a chuva
que
não escolhe
onde cai
se mistura com 
neve
rio
mar
e com o mesmo
fim
se levanta
sua única escolha
é saber
o caminho 
do
vapor
e
subir
.......................................................




















conselho dos anjos

manter a ligação
com as coisas boas
transmitir
pra quem convive
alegria
fortalecer a fé
compreender
e ter
coragem
adversidades 
quais forem
são passageiras
controlar a ansiedade
tudo
a
seu
tempo
não duvide 
do que você pode
não tenha medo
amparo
alento
.......................................................


mushishi:
a
extrema 
delicadeza
das coisas
comuns
.......................................................

vermelho
sangue
sangre
se possível 
corte o sul
ao norte
do mal
a chuva
só volta
porque evapora
amor é quase
sempre
corte
amor é quase
sempre
sorte
.......................................................

olho-te
incomodo-te
como estorvo
como luz
ofusca
intenção
.......................................................

ser poeta
é compor
num espaço vazio
espaços vazios
estar vazio 
é a arte 
de se limpar 
do raciocínio































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sábado, 1 de agosto de 2015

das tipografias...

.
"você mora onde?
eu?
não moro, improviso."

Karina Buhr
.


























todos os dias
muito cedo
acordar
tomar banho
me arrumar
e preparar
a madrugada
todos os dias
muito cedo
um pouquinho de ilusão
misturada com café
e o leite
brando

Julio Carvalho by @serifa_ in Casa Sinlogo



























agosto
mês do desgosto
mordido
pelo cachorro
louco de raiva
..................................................................

"acordei
com uma
sensação
no peito
onde eu acho
que fica
meu coração"

Vicky em "Os Padrinhos Mágicos"

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quinta-feira, 30 de julho de 2015

dos museus...

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"a arte do poeta
é provocar
devagar
o interesse
das palavras
pelo seu 
poema
as palavras
elegem
o poema
escrita
a palavra
voa
falada
obra à obra
as palavras
se agrupam
em torno
do poema
como homens
em torno da fogueira
de perto
o poema
queima"

Julio Carvalho
.
Museu da Língua Portuguesa 29.07.2015 




























NÃO 
me incomode
sou
via
de
NÃO 
única
......................................................................

nós saltamos
aqui nós saltamos
aqui apenas ondas
de músculos
cada respiração
levando para fora
do amanhecer
conforme se chega
à perfeição
inacabado
mas não incompleto
nem o sangue
nem as obrigações
prendem
torna-se um companheiro
de sussurros
e em gritos de euforia
esta caçada é nossa
assista enquanto
praticamos
uma batalha
de ostentação
e saltos ágeis
a luz ofuscante
do vencedor
capturado
corta
sou minha própria defesa
contra as barreiras
do tempo
confio em você
aquele que irá me substituir
para desvendar
o que ainda será
mas com a tocha de Helena
e a de Joana
erguidas
de terras tomadas
estou tão exausto
como uma pirâmide de luz
nós saltamos
inseparáveis da beleza
imunes à barreira do tempo

Laura Albert (adaptado
)
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