quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

das tecnologias...

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"Por quê os animais tem olhos no lado da cabeça?
São poucos os que tem olhos na frente como nós.
É porque o perigo real vem dos lados ou de trás.
A velocidade achata a visão, como uma tela."

Paul Virilio
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periphery
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acidentes causados pela velocidade

é criada a consulta diária da morte
desde a colisão das partículas até a colisão do homem
com o próprio homem
com a própria pele
com todos os seus apocalipses
com círculos vagando sobre o mesmo assunto
do fim

o mundo agora contêm
a sincronização das emoções coletivas
a formação de uma terceira bomba
o controle pela administração do medo
o corpo na periferia
de tudo

nada mais é menor
nenhuma alma é pequena
o mundo se tornou um lugar veloz
que qualquer pessoa por pessoa
pode descobrir
instantâneamente
o seu gatilho

agora aqui habitam
seres humanos menos orgânicos
seres estranhos
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

das revelações...

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"Natal, e não Dezembro
Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada."

David Mourão-Ferreira
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poetic
visceral
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a violência do nosso desejo

aparei as mãos
só pude perceber salva as lágrimas
passadas
e um corpo úmido no meu colo
desastre tardio não abarcado pelo sentido
não deu tempo de perceber o acontecido
quando se viu já era um choro

mas tudo aquilo que me move
ainda não foi perdido
nem conto perder
todo prumo se perde de vez em quando
mas isso não conta quando muito é parte
vontade

como se espera um equilíbrio
a partir disso?

o corpo nunca obedece o desejo...
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sábado, 18 de dezembro de 2010

das estações...

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"o silêncio serve para esticar as palavras"
Pedro Calouste
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nowhere near here

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meu
que
líquido
estou só
lido hoje

**
sou um mineiro
que chegou à superfície
com felicidade e pedras
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

das citações...

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"Uma transformação recente de que quase ninguém fala é a extinção de algumas palavras.
Pode parecer uma bobagem vernacular, mas não é.
A linguagem (ainda) é a forma mais eficiente para a transmissão de ideias.
Um termo que desaparece ou tem seu significado esvaziado costuma indicar
que são poucos os que ainda pensam no assunto.
"Original", por exemplo, é uma palavra que perdeu importância e vem, aos poucos, perdendo o sentido.
À medida que produtos, serviços e relações são cada vez mais compostas
de ideias e cada vez menos de matéria, ter originalidade perde relevância.
Por mais criativas que sejam, ideias não têm substância.
É impossível encontrar sua semente original, seja para preservá-la ou para destruí-la.
Outra palavra que desapareceu foi o Futuro. Assim, em maiúsculas,
o grande Futuro substantivo, a Utopia para a qual seguiríamos de mãos dadas.
Mesmo sendo fundamental para a construção de praticamente todas as sociedades
e religiões ocidentais, ele vem desaparecendo.
Ainda se fala no amanhã, no porvir,em tempos futuros.
Mas eles são vários, individuais, pequenos.
Falar em um único e abrangente Futuro parece, ironicamente,
uma coisa velha e ultrapassada.
Não se sabe exatamente quando foi que pararam de falar nele.
Desde a metade do século passado, a migração e a urbanização misturaram culturas,
valores e ideais de uma forma sem precedentes, eliminando absolutos e certezas.
E, onde não há unanimidades, não se pode determinar com precisão o caminho a seguir.
.................................................................................
O Paraíso e o Armagedom caminham de mãos dadas.
Eles estão sempre próximos, mesmo que nunca se manifestem.
Em uma economia de ideias, símbolos são mais tangíveis do que originais."

Luli Radfahrer - O fim do futuro - folha@luli.com.br
Fonte: Caderno TEC da Folha de São Paulo, quarta-feira, 15 de dezembro de 2010.

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my year in status
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das conclusões...

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"seus textos dão
a sensação que tudo está suspenso
como se levita
como se evita
e debitas no seu blog
a sensação de que tudo se edita
mas tudo se acredita
e fica o dito pela voz da sempre dita
cuja
poesia."

Roberto Laplagne - twitter @rlaplagne
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shoes
foto by Roberto Laplagne
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anuário
as histórias não precisam ter um final

0102 ao contrário
coisa lida
ano reverso
poção mágica
de letras
em trezentos e sessenta e cinco
dias escritos
uma porção de coisas lidas
servidas numa tela que se come
a frio

(as letras fazem o meu próprio elogio)

seguro o que escrevo contra o peito
a quente
um ano escrito é um ano revelado
e no final
2011 em diante...
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dos fragmentos...

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"encantar-te-ás com os poetas até conheceres um.
com calças de poeta, camisa de poeta e casaco
de poeta, os poetas dirigem-se ao supermercado.

as pessoas que estão sozinhas telefonam muitas vezes,
por isso, os poetas telefonam muitas vezes.
querem falar de artigos de jornal, de fotografias ou de postais.

nunca dês demasiado a um poeta, arrepender-te-ás.
são sempre os últimos a encontrar estacionamento
para o carro, mas quando chove não se molham,

passam entre as gotas de chuva.
não por serem mágicos, ou serem magros, mas por serem parvos.
a falta de sentido prático dos poetas não tem graça."

José Luís Peixoto, em A Gaveta de Papeis
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fragments

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quase inteiro

eu vivo
do pedaço de cada um
meu alimento é fato
de alguma coisa feita de afeto
tenho as casas e algumas causas ganhas
e mais do que isso
tenho continuado e
até onde eu posso
eu vivo
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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

das estratégias...


"Se chovesse (sempre) trezentos e sessenta e cinco dias por ano,
e as nuvens no céu se repetissem na cor,
na forma, na velocidade, e na lentidão;
e se o sol permanecesse robusto e alto, constante
como o último andar de um edifício (bem construído),
de calor assim assim mas repetindo assim assim
de calor da véspera;
se o mau e o bom tempo fossem uma linha única,
paralela aos dias; se o verão e o inverno
em vez de dois fossem um,
como uma pedra é um, e uma árvore é um,
se, enfim, quem amas permanecesse amado por ti,
hoje exactamente como ontem,
e daqui a trinta anos exactamente como hoje;
então não existiria o tempo,
e os relógios de pulso seriam pulseiras ruidosas,
mecânicas de mais para estarem tão próximas da mão
capaz de tocar com leveza.
E se não há tempo
.........................não podemos trair."

O Amor - Gonçalo M. Tavares - em "1"
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cards small
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blefe

mesmo sem dar as cartas
sem dar as caras
a poesia ainda é isso
(algo como o amor)
mesmo que outros escrevam
muitas coisas
com o mesmo nome
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