segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

das metades...

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"todo amor é pouco
em alma inquieta
todo sonho é louco
num poeta
toda dor é breve
como uma fumaça
o poeta escreve uma canção
e a mágoa passa
todo coração
que se vê no fundo
anda n'outro chão
é outro o seu mundo
todo sonhador
tem olho de esplendor
é a estrela guia da poesia
dentro do compositor
nada é de um só ]eito
salve a diferença
tudo feito com paixão
compensa
o poder da mente
não se prende em cela
é deus recriando a criação
por ela
e ela é bela, é
porque não tem fim."

Recriando a criação - Chico Pinheiro/ Paulo César Pinheiro
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uma coisa menos sábia do que o silêncio

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tenho olhos
que demoram tempo
em decifrar certas palavras
a fala tem o momento exato:
por isso
não procuro o amor entre os carros
porque corro o risco
de ser
atropelado
nos faróis

**
me deixa sozinho
quero entender
os meus parênteses

***
parti em dois:
foi um perdido
pra cada lado

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amor não é abstrato nem grande. é prático e pequeno. amor é quer um pouco?
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das surpresas...

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"A experiência poética para mim é uma aventura existencial
que acontece num momento que me surpreende,
e quando me surpreende o poema nasce."

Julio Carvalho
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horários

vazios horizontais
vazios verticais
vazios de horas
vazios de dívidas e vidas
vazios de meio-dia
vazios de âncoras e cais
vazios de mágoa
vazios de marcas e água
vazios plenos
vazios planos e acenos
vazios anônimos
vazios crônicos
vazios adeus
vazios meus
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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

das belezas...

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"como se houvesse outro ângulo para o fôlego
como
se houvesse."

Bruno de Abreu
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pure utopia
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possessão

muita beleza causa medo
tanto da coisa acabar logo
quanto da coisa não acabar nunca
e não ser possuída
muita beleza causa certos
egoísmos
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domingo, 5 de dezembro de 2010

das cicatrizes...

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"mientras relamo
mi propio cuerpo herido
y cicatrizo."

Rosa Lesca
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significato

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mais do mesmo com cicatrizes

o significado do corpo
é não pertencer a nenhum outro
a não ser que tenha algum
significado

o significado é raro e depende de alguém
o olhar certo na alma de quem tem
amor
faz a diferença
entre estar aqui e se apaixonar
estar fora dos desvios e saber onde o caminho vai
mesmo arriscando
assim vive
quem só sabe
amar
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

dos incendiários...

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"amor nunca é de um só
amor tem que ser de dois
senão ele fica menor, ai
amor que é de um só só dá dó
é dor que ninguém supôs
ponto que não tem nó
e que se desfaz depois
amor é de mais de um
de dois que se faz um amor
senão ele fica comum, ai
senão ele perde o valor
se é que já teve algum
se é que já teve ardor
se é que era amor de brasa
pois o amor
é feito flor de fogo em casa
é o que é
é um homem semeando
labareda na mulher."

Flor de Fogo - Chico Pinheiro/ Paulo César Pinheiro
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acentuação

eu já não sei quem
é
essa outra pessoa
de
manias
tão grandes
e mãos tão vazias
sobrevivendo
de pequenas euforias

eu já nem sei quem
é
que faz da alegria
o pão de cada dia
e a outra história
mal contada da memória
apagada
mal escrita na palavra

a outra coisa que

eu já não sei quem
é
está longe de ser assim
alguma coisa sempre
guardada no coração
até o fim
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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

dos fantasmas...

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"aparições estão por aí, nas entrelinhas. latejam. vibram.
sabemos que existem porque se desdobram,
porque produzem ondas (ressoam) e se revertem em escrita.
porque os poetas, através da luva fina das palavras, as tocam.
é muito pequeno, eu sei, é muito pouco.
mas é tudo _ e é pegar ou largar."

José Castello
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by journeytoanewworld
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tragédia dos comuns

que nada
eu sei que tudo vai dar em água
e que águas pesadas não movem moinhos
cansado de pensar só para vento dentro
do corpo
esvaziada_mente
mandar vir outra de espírito mais forte
que aguente firme
ainda tenho uma vida por fabricar
não esperar muita coisa
não esperar coisa nenhuma
não olhar em volta
manter a rotina
única saída
impôr-se um silêncio durante os dias
civilizadamente
um tempo de espera
de ação suspensa
onde não existe idade
ainda tenho um corpo que pesa
e espero o próximo passo
lento

vêm aí dias difíceis
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

das coragens...

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"estranhem o que não for estranho.
tomem por inexplicável o habitual.
sintam-se perplexos ante o cotidiano.
tratem de achar um remédio para o abuso
mas não se esqueçam de que o abuso é sempre a regra."

Bertolt Brecht
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voraz
à todos que mantém a palavra calada sob alguma condição

sempre calei muito
sempre feito um bobo
olhava tudo sem malicia
sempre contei com o mundo e as coisas
aparentemente boas
mas certas coisas diziam sempre não
e não e não e não
e veio o grito
o grito de dizer ondes
porquês e desejos e expor medos feito
alguma coisa grudenta no corpo que
tinha que ser arrancada
junto com outras todas
que incomodavam
muito muito muito
antes dessa coragem de falar
aqui não tinha eu
eu não sabia do meu corpo
que estava coberto de outras vergonhas
das palavras dos outros
outros e outros e outros
o primeiro grito veio e depois outro
outro e outro e outro
agora entendo melhor
tudo o que foi feito
daqueles silêncios
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